A ARTE ORIENTAL DA EXPRESSÃO.
O objetivo das artes japonesas através dos
tempos tem sido o de criar uma sensação de tranquilidade e paz, isto aplica-se
à arte da monocromia, comumente conhecida por sumi-e. ( SATO, 2010,
p.7).
Segundo Sato,
sumi-e é normalmente descrito
como a arte feita em monocromia, com o uso da tinta sumi e o papel artesanal. Sumi-e
significa "pintura com tinta preta" ( sumi = tinta preta; e
= pintura). O ideograma 墨,que é lido como sumi
em japonês, pode também ser lido como boku em chinês; assim, os estágios
iniciais da arte monocromática se tornaram um gênero reconhecido durante o
século IX na China, e o suiboku-ga ( sui = água; boku = tinta sumi;
ga = pintura) foi gradualmente disseminado por todo o Extremo Oriente.
(SATO, 2010:7)
Sumi-e, ou também denominado suiboku-ga ,
refere-se à pintura realizada com uma espécie de tinta a base de carvão (fuligem) monocromática.
Essa arte surgiu como expressão do Budismo Zen. Originária da China, o sumi-e foi considerado a arte dos monges
que introduziram essa técnica no Japão por volta de (960-1274), durante a
Dinastia Sung.
O estilo de pinturas Song foi introduzido
no Norte do Japão
por monges do budismo Zen durante o período Muromachi, por volta
do século quatorze. Durante o século XV, quando os monges trouxeram os estilos
mais novos e flexíveis da arte do Sung do Sul e de Yuan para o
Japão, iniciaram-se novas tendências na expressão artística influenciadas pela
cultura japonesa, pelo budismo Zen e pelo xintoísmo.
O budismo Zen
alcançou destaque especialmente entre a elite da classe Samurai, que abraçou os
valores zen da disciplina pessoal, da concentração e do autoconhecimento.
O crescimento dos grandes mosteiros Zen em Kamakura
e Kyoto teve um grande impacto nas artes visuais, influenciando não
apenas o tema da pintura, mas também o uso da cor; as cores vivas do Yamato-e
cederam aos monocromos da pintura Sui-boku-ga (水墨画) ou sumi-e (墨
絵), este estilo usava principalmente apenas
tinta preta – o mesmo usado na caligrafia do leste asiático .
O Sumi-e, além de bela e singular forma
de arte, é também utilizada como uma linguagem pictórica do Zen. Por
meio da pintura, alcança-se um estado de contemplação. É, portanto, uma forma
de arte integrativa, um meio para o “dar-se conta” de si mesmo e do ambiente em
que vivemos.
O budismo Zen tem como princípios a autodisciplina, a concentração, o
detalhamento e a contemplação. Esses aspectos devem ser considerados durante a
prática do sumi-e. Ignorar esses
fundamentos leva a uma percepção incompleta dessa arte oriental, quanto à forma
de apreciá-la e de compreendê-la.
O sumi-e visa à expressão da
unidade entre o ser humano e a natureza, esta é também animada e
espiritualizada. Não há limites entre os das plantas, dos animais e dos homens,
entre o inanimado e o animado, entre a vida e a morte. Segunda essa concepção,
o bem-estar resulta da harmonia com o ambiente e o universo, onde cada ser é um
membro importante que não é dotado de posição ou distinção. O artista, portanto,
torna-se um com a natureza.
Para alcançar esse estado, os
monges Zen praticavam uma severa
autodisciplina e concentração, com a finalidade de abandonar as fraquezas
humanas como o ódio, o medo e a preocupação, abrindo mão da sua individualidade
e intelecto e se despindo do seu "eu". Perdendo a sua
individualidade, ele passa a fazer parte da natureza, do todo, entrando em
sintonia com o universo. Em sintonia com a natureza, alcança o insight sobre o
seu próprio ser e passa a fazer o sumi-e
intuitivamente.
Tanto na China como no Japão,
normalmente usa-se o pincel para escrever, assim a pintura torna-se uma ampliação
da escrita. E, assim como no ocidente a caligrafia revela traços de nossa personalidade,
na China e no Japão, o caráter do homem é revelado por seus traços e
pinceladas. O artista então, é reconhecido por outras qualidades além de sua
técnica e habilidade.
Por isso, enquanto a maior parte
da pintura ocidental clássica teve como objetivo a descrição realista do mundo
e de seus objetos, o sumi-e sempre
foi uma expressão da percepção do artista tentando captar a essência do tema,
dando mais importância à sugestão do que ao realismo. Na pintura ocidental,
usa-se muitas cores e tonalidades; no sumi-e,
a tinta é geralmente preta, mas dela são extraídas as tonalidades que passam
pelo cinza até alcançarem o branco. (Marissol Hiromi Takano e Mikhaela H.
Kawahara)
Hiromi Takano - Neve nas Montanhas
Mikha Kawahara - Ume
Hiromi Takano - Orquídea

Hiromi Takano: Cavalos nas Montanhas
Hiromi Takano : Neve